sábado, 22 de maio de 2010

A importância do lúdico no processo ensino-aprendizagem

A importância do lúdico no processo ensino-aprendizagem




Analeda Trindade

Denisleide Menezes da Silva



RESUMO:

O presente artigo pretende ressaltar a importância do lúdico no processo ensino-aprendizagem, e para um bom desempenho da nossa pesquisa, teremos como proposta e objetivo geral deste estudo, resgatar a importância do brincar para a educação e o desenvolvimento infantil, revelando assim um papel fundamental na vida da criança, por ser um mediador indispensável e eficaz, que vibializa a interação criança-adulta e criança-criança.



PALAVRAS-CHAVE: Criança. Educação. Ludicidade.



INTRODUÇÃO

A criança é um sujeito, como todo ser humano, que está inserida em uma sociedade, deve ter assegurado uma infância enriquecedora no sentido do seu desenvolvimento, seja psicomotor, afetivo ou cognitivo.

De acordo com Furtado et al (2007), a ludicidade possibilita à criança se conhecer e constituir-se socialmente, já que ao brincar, ela assimila diferentes representações sobre o mundo e desenvolve inúmeras formas de se comunicar, vivenciar suas emoções, interagirem com outras crianças e adultos, melhorar seu desempenho físico-motor, nível lingüístico e formação moral.

As crianças possuem suas características próprias e observam o mundo e o comportamento das pessoas que a cercam de uma maneira muito distinta. Aprendem através da acumulação de conhecimento, da criação de hipóteses e de experiências vividas.

O processo de ensino e aprendizagem na escola deve ser constituído, então, tomando como ponto de partida, o nível de desenvolvimento da criança, adequados à faixa etária e ao nível de conhecimento e habilidades de cada grupo.

Sabendo que a criança é um ser que sempre brincou que brinca e irá brincar sempre, podemos afirmar que o brincar é muito importante na formação da mesma. Por isso o brincar é eminentemente educativo no sentido em que constituem meios para desenvolver a curiosidade e o princípio de toda descoberta, apresenta valores específico para todas as fases da vida humana, assim na idade infantil e na adolescência, a finalidade é essencialmente pedagógica.



DESENVOLVIMENTO:

Ser criança é ter na cabeça fantasia, é ter curiosidade e criatividade. É transformar e ser transformada por meio das brincadeiras e de suas infinitas possibilidades de criação, invenção e aprendizagens.

É no mundo das fantasias que as crianças vivem simulações repletas de simbolismo e abstrações, para tanto, se engana quem pensa que elas apenas estão se divertindo neste momento, o fato é que elas levam o lúdico muito a sério, abstraem o brinquedo, a situação, os comportamentos e os resultados da brincadeira, até mesmo as crianças com menos de três anos, que usam o brinquedo sem separar a situação imaginária do real, também levam o ato da brincadeira a sério.

É fundamental olharmos para as crianças como produtoras e transmissoras de culturas que devem ser identificadas, potencializadas e preservadas, ou seja, precisamos olhar e conhecer as crianças com base no olhar que elas próprias têm de si e o mundo.



“... A criança deve ter todas as possibilidades de entregar-se aos jogos e às atividades recreativas, que devem ser orientadas para os fins visados pela educação; a sociedade e os poderes públicos devem esforçar-se por favorecer o gozo deste direito”. (Declaração Universal dos direitos da criança, 1959).



O aprender nasce nas crianças, talvez possivelmente atuando antes mesmo do nascimento, então a única coisa que podemos fazer é organizar para elas a realização de sua aprendizagem.

A ludicidade recebe sua devida importância, pois aqui percebemos que a mesma facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal e social, a construção do conhecimento, a comunicação e a expressão.

Ao criar um jogo, o educador deve ter em mente os objetivos que pretendem atingir. Na confecção, o educador deverá estar atento aos estágios de desenvolvimento da criança, tendo cuidado na escolha do material para sua confecção. Caberá ao educador propiciar a utilização dos jogos e brincadeiras de tal forma que possibilite à criança descobrir, vivenciar, modificar e recriar regras.

Vários educadores têm mostrado que o trabalho lúdico deve ser valorizado. Gardem afirma que o brincar é o principal motor do desenvolvimento, promovendo autoconfiança, pois permite a criança experimentar o mundo sem medo “e Fátima Camargo considera um espaço de interação, construção do conhecimento de mundo e uma forma eficiente de saber como as crianças estão pensando”. Apesar de reconhecer o valor das atividades lúdicas no processo educacional, principalmente na educação infantil, verificamos que tem sido significante a ênfase dadas por algumas universidades do nosso país que atuam como professores a essas atividades.



“A esperança de uma criança, ao caminhar para a escola é encontrar um amigo, um guia, um animador, um líder - alguém muito consciente que se preocupe com ela e que a faça pensar, tomar consciência de si e do mundo e que seja capaz de dar-lhes as mãos para construir com ela uma nova historia e uma sociedade melhor”. (ALMEIDA, 1987, p. 195).



Portanto, acreditamos que se faz necessário dinamizar os conteúdos sistematizados, através de atividades lúdicas nas jornadas pedagógicas com o propósito de despertar a ludicidade no professor, para então, uma vez conhecendo experimentando tal prática pode utilizá-la no trabalho com seus educandos.

De acordo com os nossos estágios, verificamos a questão da ludicidade, onde levou-nos a perceber que trabalhando com o lúdico em sala de aula despertamos nos alunos o interesse pela aula, auxiliando no processo ensino-aprendizagem.

Vale ressaltar, porém, que o lúdico não é a única alternativa para a melhoria do intercâmbio ensino-aprendizagem, mas é uma ponte que auxilia na melhoria dos resultados por parte dos educadores em promover mudanças.

Construir um espaço na escola onde o lúdico, o jogo e as brincadeiras se tornem algo real, são um desafio e um compromisso muito grande. Sabe-se através de várias pesquisas e estudos realizados, que o lúdico é de fundamental importância para o desenvolvimento físico mental das crianças.

O brincar facilita o crescimento e, portanto a saúde; o brincar conduz ao relacionamento grupais auxiliando na construção do seu conhecimento e na sua socialização, englobando aspectos cognitivos e afetivos.

De acordo com as concepções de Vygostsky, uma prática pedagógica adequada perpassa não somente por deixar as crianças brincarem, mas fundamentalmente por ajudar as crianças a brincar, por brincar com as crianças e até mesmo por ensinar as crianças a brincar.

As atividades lúdicas, quando bem administradas, trazem diversos benefícios à criança. Convém lembrar também que o principal conceito da teoria de Vygotsky é o de zona de desenvolvimento proximal, que ele define como a diferença entre o desenvolvimento atual da criança e o nível que atinge quando resolve problema com auxilio, o que leva à conseqüência de que as crianças podem fazer mais do que conseguiriam fazer por si só.

O lúdico é uma categoria geral de todas as atividades que tem característica de jogo, brinquedo e brincadeira.

...”O jogo pressupõe uma regra, o brinquedo é um objeto manipulável e a brincadeira, nada mais do que o ato de brincar com o brinquedo ou mesmo com o jogo. Jogar também é brincar com o jogo. O jogo pode existir por meio do brinquedo, se os “brincantes” lhe impuserem regras. Percebe-se, pois, que jogo brinquedo e brincadeira tem conceitos distintos, todavia estão imbricados; ao passo que o lúdico abarca todos eles”. (MIRANDA, 2001).

Contudo, podemos afirmar que todo mundo tem inteligência o que falta é ser estimulada, ou ainda falta à valorização dos conhecimentos das crianças, pois com elas ensinamos e aprendemos a ver o mundo de uma forma mais sensível, alegre e estimulante.

É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança.

O brinquedo é o fornecedor da brincadeira, ele é a fonte de imagens a ser manipulada, traduzindo o universo real ao imaginário alimentando a ação. Essas imagens fazem parte da cultura a ser assimilada pela criança, ela pode transformar criar, recriar suas próprias significações por meio das manipulações.

Vygostsky propõe que o brinquedo, o brincar, surge nas atividades das crianças em idade pré-escolar, como uma forma de atender desejos que não podem ser imediatamente satisfeitos.

A capacidade de” fazer de conta”, de transformar um cabo de vassoura num cavalo,ainda que limitada é um caminho que leva do raciocínio concreto para o abstrato e o uso dos símbolos. Essa capacidade de simulação torna o brinquedo uma grande fonte de desenvolvimento para a criança.

Brincar faz parte de toda a infância de uma criança, pois assim a criança aprende de si mesma, e sobre as pessoas que as cercam. Sendo assim, não podemos separar o brincar da educação escolar, pois nesse ambiente passa uma boa parte do tempo de seu dia.

Portanto, as brincadeiras não só dão prazer as crianças quando é parte da cultura lúdica infantil, porém, podem servir como um recurso metodológico destinado a diagnosticar necessidades e interesses dos diferentes grupos de crianças e, também destinado a contribuir para o desenvolvimento da inteligência e das atividades específicas (FRIEDMANN, 1996)

A criança evoluiu com a brincadeira e a brincadeira se evoluiu integrado ao seu desenvolvimento, a brincadeira está na gênese do pensamento, da possibilidade de experimentar, de criar e de transformar o mundo.

O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa. Sabemos então que para a criança ser feliz precisa de muita coisa, mas, em especial ela precisa de: amor, igualdade, saúde, autonomia, família, lar, espaço, movimento, atenção, carinho, meio ambiente, cidadania e educação.

O jogo pode ser visto como um instrumento pedagógico muito rico, que todos os professores podem utilizar para desenvolver em seus alunos várias habilidades e trazer vários conhecimentos, pois o jogo é reconhecido como meio de fornecer a criança um ambiente agradável, motivador e prazeroso que possibilita a aprendizagem de várias habilidades.



É difícil estabelecer-se que uma determinada atividade é uma brincadeira, um pequeno jogo ou um grande jogo. Para podermos

definir temos que ver como esta atividade será desenvolvida no caso estudado e assim chegar a uma conclusão.O próprio professor pode utilizar uma mesma atividade em forma de brincadeira,pequeno jogo ou grande jogo, adaptando-a ao público a ser atingido.Para transformar uma brincadeira em jogo ou vice-versa,basta utilizar as regras de acordo com as característica da atividade.(CAVALLARI e ZACHARIAS 1994, p. 57 ).



Acreditamos que o professor precisa ter segurança clareza dos objetivos ao introduzir o jogo no processo ensino-aprendizagem; pois tanto alunos quanto os pais estão arraigados com as metodologias /didáticas da educação tradicional. No momento do jogo é comum os professores encontrar questionamento do tipo: ”que horas começará a aula?”,”não vamos fazer atividade?”,”esta professora só quer saber de brincar,estudo que é bom nada!”..

Para entender o universo lúdico é fundamental compreender o que é brincar e para isso, é importante conceituar palavras como, brincadeira e jogo, permitindo os professores de educação infantil e do ensino fundamental trabalhar melhor as atividades lúdicas.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste estudo buscamos salientar a importância de trabalhar com a ludicidade, pois, a mesma faz parte do desenvolvimento integral da criança, além de propiciar o conhecimento de sua cultura.

As atividades lúdicas em geral, têm um grande potencial para o desenvolvimento da criança, desde que assumidas como mediadora do processo de ensino – aprendizagem, tornando o ambiente escolar mais prazeroso, estimulante e motivador. Porém, o presente trabalho vem apontar para a importância do uso de atividades ludo pedagógicas, desde que sejam programadas e com objetivos pré-determinados, no processo de aprendizagem, visto que estas proporcionam a criação de situações problemas que auxiliam o processo educativo por serem extremamente interessantes e envolventes tornando o ensino mais significativo para a criança.

Quem trabalha na educação infantil deve saber que podemos sempre desenvolver a motricidade, a atenção e a imaginação de uma criança.

A educação contribui no crescimento profissional, oferecendo informações necessárias para uma boa formação e preparando para novos conhecimentos que deseja obter na realização das propostas educacionais, preparando-se e buscando valores para a cidadania com a responsabilidade de educar.

As experiências e os conhecimentos construídos ao longo do curso formam um conjunto de procedimentos que promoverão profundas mudanças no processo ensino/aprendizagem e as relações estabelecidas entre os diversos autores da cena pedagógica. Enfim, todas as teorias estudadas buscaram reconhecer a dinâmica envolvida nos atos de ensinar e aprender, trazendo inúmeras contribuições para a nossa jornada pedagógica e formação acadêmica.





REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:



MIRANDA, Simão de. Do fascínio do jogo à alegria do aprender nas séries iniciais. São Paulo: Papirus, 2001.



CAVALLARI & ZACHARIAS, Trabalhando com recreação. São Paulo: Ícone, 1994.



VYGOTSKY, L.S. LURIA, A.R. LEONTIEV, A.R. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução: Maria da Penha Villalobos. São Paulo. Ícone Editora Ltda. 1994.



FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer aprender, o resgate do jogo infantil. Moderno, São Paulo, 1996.



Furtado, V.Q.et al. Tempo de brincar, hora de aprender. Londrina: Humanidades, 2007.



Declaração Universal dos direitos da criança - ONU (20/11/1959).



ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica - técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Edições Loyola, 1987.



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